A Arte da Guerra / Sun Tzu

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48 Leis do Poder / Robert Greene

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12 Regras para a Vida / Jordan Peterson

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O que é uma democracia?

A pergunta é simples, mas a resposta é complexa. Uma mesma palavra pode ter significado diferente para cada pessoa. A Coreia do Norte, por exemplo, se autodenomina República Popular Democrática da Coreia do Norte), embora só tenha “democrática” no nome. Segundo o instituto Freedom House: “A democracia é um sistema de governo baseado na vontade e no consentimento dos governados, em instituições que prestam contas a todos os cidadãos, na adesão ao Estado de direito e no respeito pelos direitos humanos”. No Brasil, a quebra da Constituição, a privação de direitos individuais e a censura viraram pretextos para defender a democracia. Isso gera uma confusão no meu cérebro. Como um erro pode consertar outro erro? Uma democracia permite censura? Uma democracia permite o fim do Estado de direito? Uma democracia é para alguns e não para todos os cidadãos? Murray Rothbard e Hans-Hermann Hoppe em seu livro Democracia, o Deus que Falhou argumentam que, nas democracias atuais, similar ao que acontecia na monarquia, grupos que assumem o poder tomam para si as decisões cujo benefício não é para todos, senão, apenas para aqueles que estão no poder. Na mesma obra, os autores trazem o conceito econômico de referência temporal. A partir desse conceito, entendem que, quando um governador não considera que suas decisões irão repercutir no tempo, muitos recursos públicos podem ser alocados erroneamente buscando-se apenas benefícios temporários. E, ao analisar o que vem acontecendo no Brasil, não é diferente. Embora muitos falem sobre democracia, poucos querem praticá-la. Como pode alguém defender a democracia e receber com tapete vermelho um ditador? Como pode condenar um Estado livre e democrático como Israel e não tecer uma crítica à Rússia de Putin que, por um capricho de um líder, tem causado milhares de mortes para ambos os lados. Nunca entendi por que os líderes que mais falam em defender a pobreza são os que mais geram pobreza. Veja a história da Argentina, Cuba, Venezuela, Coreia do Norte entre outros. Parece que essa palavra agora mudou. Tudo em nome da democracia. Em nome dela podem confiscar sua produção, sua propriedade privada, regulamentar a liberdade de expressão (isso é possível?), proibir questionar a ciência (algo que nem mesmo a ciência permite, podendo tudo ser questionado). Quero para meu país uma democracia verdadeira, que seja para o povo, onde sejamos livres para expressar nossas religiões, opiniões – mesmo que sejam estúpidas. Que tenhamos o direito de ficar com o que produzimos e sim, que também tenhamos um olhar para o próximo: é importante ajudar quem está do lado, mas não nos sacrificarmos. *Lucas Cambraia Bahia Coutinho é Investment Advisor na Bankshop e associado no Instituto de Formação de Líderes (IFL-SP).
O fim da Inteligência Artificial no Brasil?

Você escuta que o mundo está piorando, a inteligência artificial vai acabar com os empregos e com a humanidade, a nossa vida vai ser cada vez mais difícil, o planeta não aguenta mais bebês, a economia não pode crescer mais, entre tantas outras previsões pessimistas. Essa não é só uma sensação, mas um pensamento que está impactando diretamente a vida das pessoas. Inclusive, pesquisas apontam que boa parte da população não pretende ter filhos por medo do futuro. A boa notícia é que, apesar de a humanidade ter desafios enormes pela frente, o mundo melhorou e continua melhorando. Segundo o Our World in Data, a humanidade está vivendo mais , acabando com a pobreza extrema, sendo mais democrática, mais aberta a preferências sexuais e muito mais segura. Nesse contexto de incoerência entre a realidade do mundo e a sensação que muitos sentem sobre o futuro, surgiu uma visão de mundo chamada Otimismo Tecnológico, do inglês Techno-Optimism, que enxerga o passado, o presente e o futuro da humanidade com mais otimismo e confiança, colocando o humano como protagonista, destacando-o como um ser que melhora a sua vida através da tecnologia e do conhecimento. Recomendo a leitura do manifesto na íntegra (link). O Otimismo Tecnológico avalia todos os problemas que já resolvemos através da tecnologia, seja por vacinas, máquinas industriais, eletricidade, internet, equipamentos médicos, entre tantos outros, e entende que os problemas que temos hoje também só conseguirão ser resolvidos através de mais tecnologia e conhecimento científico, criando abundância e prosperidade para um número cada vez maior de pessoas. Ao invés de ver a tecnologia como ameaça, o otimista tecnológico a vê como uma aliada. Além disso, essa visão de mundo compreende a importância do livre mercado e do crescimento econômico e populacional para viabilizar a distribuição de bem-estar e progresso para toda a humanidade. Desde aproximadamente o século XVIII, quando as bases do livre mercado começaram a se formar, tivemos um aumento inédito de qualidade de vida junto com um aumento populacional extraordinário. A história mostra que crescimento populacional, livre mercado e avanço tecnológico criaram o maior patamar de qualidade de vida para o maior número de pessoas na história da humanidade. Entretanto, essa mentalidade não é ingênua, ela compreende os grandes desafios que estamos atravessando: desafio ambiental, aumento da temperatura terrestre, aumento da depressão e casos de suicídio em alguns países, o desafio de acabar com a pobreza, entre tantos outros, porém os otimistas tecnológicos compreendem que a tecnologia, o livre mercado e o crescimento sempre foram os aliados da humanidade para solucionar os problemas: aposte neles ao invés de demonizá-los. Um exemplo que está acontecendo é que muitos países como Reino Unido, França, Alemanha e Itália, através da tecnologia, estão conseguindo fazer a sua economia crescer e, ao mesmo tempo, reduzir a emissão de gases do efeito estufa e o impacto no meio ambiente. A inteligência artificial (IA), citada pelo Manifesto Otimista Tecnológico, é uma das principais tecnologias que vão melhorar a vida humana nos próximos anos. Como analogia, a inteligência artificial vai fazer com a inteligência o que a internet fez com a informação: facilitar o acesso e baratear a sua distribuição. No futuro, com a tecnologia mais desenvolvida, a inteligência artificial terá a capacidade de diagnóstico de um ótimo médico por uma fração do valor e infinitamente mais rápido, todo aluno poderá ter um tutor IA particular disponível 24 horas para ajudar no ensino, todos terão um acompanhamento de uma IA psicóloga disponível nos momentos mais necessários, entre tantos outros exemplos com potencial de alto impacto no ganho de qualidade dos serviços e produtos em geral, melhoria e redução de preço de serviços de saúde, melhoria na qualidade de vida, redução de desperdícios na indústria e na agricultura e ganho de eficiência em diversos setores. Entre os pontos de receio frente à inteligência artificial, a perda de empregos é talvez a principal. Outra boa notícia, caso siga a mesma tendência que ocorreu em todos os avanços tecnológicos, teremos mudanças profundas nos empregos, porém a economia se adapta, ganha produtividade e, no fim, se geram mais empregos e mais desenvolvimento para a humanidade. A falha lógica de quem acredita que a IA vai acabar com os empregos é chamada de Falácia da Escassez do Trabalho: a noção errônea de que há apenas uma quantidade limitada de trabalho a ser feito e que se alguém ou uma máquina fizer um trabalho, ela está tirando de outra pessoa. Marc Andreessen, explica que, quando a tecnologia é aplicada à produção, há um aumento de produtividade que resulta em preços menores por bens e serviços, resultando em aumento do poder de compra, o que, por fim, aumenta a demanda da economia, criando mais necessidade de produção, inclusive de novos produtos e indústrias, o que cria mais empregos para as pessoas que tinham sido substituídas pela tecnologia. Portanto, avançar com a inteligência artificial resultará numa economia maior com mais prosperidade material, maior qualidade de vida, mais indústrias, mais produtos e mais empregos. Os problemas com a regulação brasileira proposta por Rodrigo Pacheco O presidente do Senado brasileiro, Rodrigo Pacheco, busca aprovar no Congresso um novo projeto de regulamentação da inteligência artificial no nosso país, o PL 2338/23, inspirado na regulamentação europeia e que deve passar na frente de outros projetos sobre o tema, inclusive do PL 21/2020 que já foi aprovado na Câmara. Pacheco busca liderar a criação e aprovação do primeiro projeto de lei sobre inteligência artificial no Brasil. Pelas suas declarações, o senador visa regulamentar o setor para evitar o uso indevido da tecnologia nas eleições e para estabelecer regras sobre privacidade, o que até faz sentido. Não obstante, o projeto avança muito mais do que isso e impõe restrições exageradas num setor ainda embrionário. O projeto define 14 setores como de alto risco, incluindo educação, saúde, análise de crédito e recrutamento de empresas, e obriga que todo sistema desenvolvido dentro desses temas necessite ter uma documentação rigorosa atualizada e passe por análise pela autoridade estatal competente. O desenvolvimento de
Autoritarismo disfarçado: como o abuso da lei está sufocando a liberdade de expressão no Brasil

O debate sobre o papel do Estado e a função da lei é crucial no Brasil atual. Vivemos em um mundo onde as mudanças sociais, econômicas e tecnológicas ocorrem rapidamente, e a capacidade do Estado de acompanhar essas transformações torna-se cada vez mais questionável. Afinal, será que uma única instituição, com um número limitado de servidores e especialistas, é realmente capaz de se adaptar continuamente e compreender todas as injustiças e imperfeições de uma sociedade em constante evolução? E mesmo que consiga, será ele capaz de nivelar essa balança de forma justa por meio do instrumento da Lei? Conforme argumentado por Frédéric Bastiat em sua obra A Lei, esta deveria se restringir exclusivamente à proteção dos três direitos fundamentais do indivíduo: a Vida, a Liberdade e a Propriedade. Contudo, no Brasil, há uma tendência preocupante de sobrecarga legislativa, onde o Estado continuamente tenta resolver todos os problemas da sociedade, invadindo esferas que deveriam ser protegidas da intervenção estatal. Essa expansão das “funções” da lei frequentemente resultam em uma aplicação injusta e seletiva, favorecendo interesses particulares em detrimento do bem comum. Legislações ambientais e econômicas, por exemplo, ao invés de promover a justiça, muitas vezes acabam privilegiando grupos específicos, criando distorções de mercado e perpetuando injustiças sociais. Além disso, a intervenção estatal no Brasil não se limita apenas a questões econômicas. O Projeto de Lei das Fake News (PL 2630/2020), por exemplo, ameaça gravemente a liberdade de expressão no Brasil, disfarçando um potencial instrumento de censura como uma medida de proteção à democracia. Embora seus defensores, como o deputado Orlando Silva, insistam que a votação em 2024 (que, por ora, ainda não foi pautada na Câmara) seria mais focada no mérito da regulação do que na sua implementação em si, o projeto ainda assim impõe obrigações amplas e vagas às plataformas digitais, abrindo margem para interpretações autoritárias que podem silenciar vozes críticas. A oposição de grandes empresas de tecnologia, como Google e Meta, reflete a preocupação de que a lei não só limita a livre circulação de ideias, mas também transforma as plataformas em agentes de controle estatal. Em vez de proteger, o PL 2630 pode sufocar o debate público e a diversidade de opiniões, transformando o ambiente digital em um espaço de repressão, em vez de um fórum de liberdade. Outro preocupante exemplo desse movimento governamental perverso são as recentes ações do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que representam uma alarmante escalada autoritária no Brasil, com graves implicações para a liberdade de expressão e o estado de direito. Este mês, Moraes ameaçou prender o representante legal da X (antigo Twitter) no Brasil, caso a plataforma não cumprisse suas ordens de censura, que incluíam a remoção de contas e a entrega de dados privados de usuários. Essas ordens foram amplamente vistas como abusivas e ilegais, forçando a X a fechar suas operações no país para não se tornar cúmplice de um regime de censura. Elon Musk, proprietário da X, criticou ferozmente as ações de Moraes, chamando-o de um “desastre para a justiça” e comparando-o ao vilão Voldemort, de Harry Potter. Não satisfeito, Moraes retaliou as atitudes de Musk ameaçando suspender as atividades da plataforma no Brasil, bem como o congelamento das contas da Starlink, uma empresa também dirigida por Musk, mas que tem uma estrutura societária completamente apartada da X. As atitudes de Moraes não apenas minam a credibilidade do sistema judiciário brasileiro, mas também revelam uma perigosa tendência de utilizar o poder judiciário como instrumento de repressão política e silenciamento de opositores. A investigação criminal aberta por Moraes contra Musk por suposto incitamento à desinformação só reforça o caráter persecutório de suas ações, evidenciando o risco de o Brasil se encaminhar para um estado cada vez mais autoritário, onde a lei é manipulada para servir aos interesses daqueles no poder. Diante dessa realidade preocupante, é imperativo repensar o papel do Estado na regulação da sociedade. A solução não reside na abdicação completa da função reguladora, mas sim na definição clara e consciente dos limites da intervenção estatal, concentrando-se exclusivamente na proteção dos direitos fundamentais dos indivíduos. O Brasil enfrenta o desafio urgente de equilibrar a legislação com esses direitos em uma sociedade em constante evolução. O Estado deve reconhecer seus limites e resistir à tentação de usar a lei como um remédio universal para todas as mazelas sociais. Somente ao restringir sua atuação à proteção desses direitos e evitar a intervenção excessiva em todos os aspectos da vida social e econômica, poderemos garantir uma sociedade verdadeiramente livre e justa, onde a lei cumpra seu propósito original de proteger, e não de oprimir. * Nícolas André Klann Fonteyne é engenheiro formado pelo Insper, com passagens pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), e membro associado do IFL-SP. Atuou como trader na Kapitalo Investimentos e na Rio Bravo Investimentos, focando em estratégias sistemáticas globais aplicadas a diferentes classes de ativos.
Um bilionário, um juiz da suprema corte e um brasileiro entram num bar…

*Por Yuriy Szymanskyj Seria um ótimo começo de uma piada, mas não é. Na semana passada, tivemos mais um episódio de nossa tragicômica série brasileira, uma troca de farpas entre um bilionário americano e um juiz do Supremo Tribunal Federal. Elon Musk, o dono da X, antigo Twitter, questionou as decisões do Ministro Alexandre de Moraes, dizendo que levantaria o bloqueio das contas desativadas por ordem do STF, endereçando a seguinte pergunta ao magistrado, “Why are you demanding so much censorship in Brazil?”[Por que você está exigindo tão censura no Brasil?]. Dado o perfil dos dois combatentes e a arena polarizada em que vivemos, o assunto tomou grandes proporções e novamente virou uma disputa entre direita e esquerda. Mas não devemos nos distrair, garantindo que a nossa posição seja influenciada pelo assunto em si, e não pelo interlocutor. O assunto em questão é a nossa liberdade de expressão e é sobre isso que devemos falar. A luta contra a censura no Brasil não é de hoje. Durante a ditadura, a censura prévia de jornais, revistas, filmes e afins era prática comum do governo, o qual buscava controle absoluto para evitar críticas e contestações ao regime. Além disso, o governo exercia pressão constante nos veículos de mídia, para que estes adotassem uma linha editorial favorável à situação; e, quando algo ou alguém saía da linha, esforços não eram medidos para punir os opositores. Com a promulgação da constituição de 1988 foram inseridos artigos muito claros para proteger a liberdade de expressão dos brasileiros, evitando que o passado se repetisse. Como o Artigo 5º, inciso IX, diz: “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. O Artigo 220 ainda reforça “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição”, completando no seu primeiro e segundo parágrafo, respectivamente, “Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade jornalística em qualquer veículo de comunicação social” e “é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”. Concordo que é difícil ser mais claro que isso, mas o problema começa quando se tem um STF com poderes de Congresso, mais preocupado em legislar e engajar em pautas políticas do que em se ater aos seus princípios básicos: defender e garantir a aplicabilidade da Constituição, protegendo os direitos fundamentais dos cidadãos, sempre dentro da neutralidade da lei. Decisões como censura a canais de mídia em época de eleição e bloqueio de redes sociais de influenciadores, apresentadores e opositores, vão contra todas as diretrizes apresentadas anteriormente, tornando o princípio da liberdade de expressão um benefício dado apenas a alguns. É evidente que os não censurados apoiam tais medidas, em “defesa da democracia”, mas o precedente que essas violações criam pode afetar todos os lados no futuro, caso não sejam combatidas. Mas e a luta contra discursos de ódio e fake news, onde se encaixa? No livro Contra toda a Censura, o autor Gustavo Maultasch diz que a liberdade de expressão tem como característica ser irrestrita, isonômica e não-arbitrária, sendo igual para todos, gostemos ou não do conteúdo. Se ela valer apenas para alguns tipos de discurso, perde sua razão de ser. Ele explica que a defesa de discursos extremos – ou ditos “discursos de ódio” – servem como um escudo, no sentido de que, se até este tipo de argumentação for protegido pelo princípio da liberdade de expressão, poderemos, então, ter certeza de que todos os outros discursos, inclusive as críticas às instituições, aos poderosos e aos decisores, também serão tolerados e aceitos. Maultasch completa que a própria sociedade deveria ter a capacidade de abafar tais discursos por si só, sem a intervenção arbitrária do Estado, salvo em situações de perigo iminente. Quanto às fake news, defende que, se houver tempo para expor, pelo debate, a falsidade e as falácias, o remédio a ser aplicado é mais discurso e não a censura. É evidente que discursos anti-vacina, por exemplo, levantados na época da pandemia pelo então presidente Jair Bolsonaro não têm nenhum suporte científico. Mas, não seria a sociedade capaz de sufocar esses discursos por si só, dado que a democracia aposta no bom-senso da maioria? Se nós nos tornamos dependentes de uma instituição federal para nos dizer quais informações são verdadeiras ou falsas, o que isso dirá sobre a nossa democracia, nossa capacidade e nossa liberdade de expressão? Talvez Elon Musk tenha sim outros interesses econômicos por trás destas críticas a Alexandre de Moraes, como dizem muitos veículos de esquerda. Ou talvez ele seja mesmo um grande defensor da liberdade de expressão, como defendido pelos apoiadores da direita. No final, o que esta situação exige de nós é nos colocarmos acima do fogo cruzado e perceber que o principal foco desta conversa é sim o nosso direito de nos posicionar, nosso direito de criticar pessoas e instituições do governo, quando necessário, sem o receio de nenhuma retaliação. A liberdade de expressão deve ser plural e para todos. Nós, brasileiros, não podemos aceitar nenhum passo para trás neste assunto, depois de termos lutado tanto para conquistarmos esse direito. E se no meio do caminho precisarmos da ajuda de algum bilionário intrometido para isso, que seja! * Yuriy Szymanskyj é descendente de Ucranianos, Engenheiro de Produção pelo Instituto Mauá de Tecnologia e profissional do mercado financeiro, com experiência no Brasil e no exterior. Associado ao Instituto de Formação de Líderes de São Paulo (IFL-SP).
Superautonomia para o Banco Central é uma boa ideia?

Criado em 1964, o Banco Central do Brasil é uma das principais instituições econômicas do país, detendo a responsabilidade sobre a política monetária. Tal responsabilidade é de importância fundamental para o Brasil, uma vez que se relaciona com questões relativas à estabilidade de preços e à atividade econômica. A Lei Complementar 179 de 2021 concedeu autonomia formal ao Banco Central, estabelecendo mandatos aos seus diretores e delimitando os objetivos do Banco, sendo eles a estabilidade de preços, a estabilidade do sistema financeiro e suavização das flutuações econômicas, com fomento ao pleno emprego. A qualidade das instituições é um fator relevante para o desenvolvimento econômico e muitos viram essa medida como um avanço. Por outro lado, a referida lei foi questionada no Supremo Tribunal Federal por conter vício de iniciativa, uma vez que propor a autonomia do Bacen seria medida de iniciativa exclusiva do Presidente da República. O STF validou. Após três anos de vigência da autonomia concedida em 2021 e ainda na gestão do primeiro presidente com mandato concedido por tal medida, há nova proposta que pretende ampliar a autonomia do Bacen em debate no Congresso Nacional. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n° 65 de 2023 traz para o Bacen uma espécie de superautonomia turbinada e inédita no arcabouço jurídico brasileiro. A PEC dispõe que o Banco Central se tornará instituição de natureza especial com autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira, organizada sob a forma de empresa pública e dotada de poder de polícia, incluindo poderes de regulação, supervisão e resolução; adicionalmente, dispõe que não haverá vinculação do Bacen a Ministério ou a qualquer órgão da Administração Pública, seja ela de tutela ou subordinação hierárquica. Em primeiro lugar, a atual autonomia concedida em 2021 ainda não foi avaliada tecnicamente. Até hoje não está claro para boa parte dos que acompanha a política monetária quais os critérios do Bacen para equilibrar os seus objetivos legais previstos na LC 179 de 2021. São constantes as críticas de que o Banco não estaria perseguindo o mandamento legal de suavização das flutuações econômicas e busca do pleno emprego; críticas essas que poderiam ser mitigadas com maior transparência e clareza dos critérios utilizados para o Congresso Nacional e para a sociedade em geral, incluindo a imprensa. Alguns dos órgãos que hoje já detém autonomia orçamentária e financeira são os que mais tem recebido críticas por serem criadores de penduricalhos e outras despesas perdulárias, sendo a autonomia um instituto que demonstra problemas graves em seu nível atual. No entanto, com a proposta em discussão no Congresso, o Banco Central não pede a já problemática autonomia ora existente, mas uma ainda maior, o Banco Central pede uma superautonomia. O Bacen seria a primeira empresa pública totalmente autônoma e sem supervisão ministerial. Seria um curioso caso de empresa pública, com prerrogativas de Estado (fiscalizar e regular) mas sem o ônus de uma instituição de Estado. Uma empresa pública, com prerrogativas de Estado, mas apropriada por sua burocracia, num tipo inovador de patrimonialismo. Abriria-se, com a PEC 65/2023, uma avenida para a elevação de despesas e a criação de penduricalhos pelo Banco Central, o que poderia causar grave dano reputacional ao órgão; o que por sua vez traria riscos à própria política monetária, em parte sustentada na reputação da instituição que a conduz. Um problema ainda maior, no entanto, é o caráter antidemocrático da medida. A base do Estado Democrático de Direito é a necessidade de prestação de contas e responsabilização (accountability) por parte de todos os órgãos e agentes públicos. Com essa PEC, o Bacen teria ampliada as suas prerrogativas de instituição pública, mas teria, por outro lado, significativamente reduzida a sua necessidade de prestação de contas, que deve ir muito além da mera prestação de contas formal ao Congresso Nacional e ao Tribunal de Contas da União. A supervisão ministerial não pressupõe uma relação de hierarquia, não sendo os servidores do ministério ou o próprio ministro, chefe do Banco Central; não sendo ela, portanto, contrária à autonomia operacional. A supervisão ministerial funciona como um freio e contrapeso, mecanismo fundamental do Estado de Direito, para que um órgão ou agente público não se torne dono do bem, recurso, ou política pública que gerencia. Além disso, a Advocacia Geral da União considerou inconstitucional a PEC 65/2023 por vício de iniciativa, mesma razão alegada em relação à LC 179/2021, demonstrando que a questão pode voltar a ser discutida no STF. Apesar da Corte ter mantido a autonomia concedida em 2021, a revisitação do tema – com uma nova composição da Corte – pode resultar em decisão diversa da obtida anteriormente, pondo em risco a atual autonomia. Ao pedir muito, o Banco Central pode ficar sem nada. Maurício F. Bento é graduado e mestre em economia. Tem experiência no setor público e privado no Brasil e no exterior. É Diretor de Formação do IFL-BSB e associado honorário do IFL-SP.
Mises Fora da Bolha

O ano é 1959, Juan Domingo Perón, controversa figura mais importante do século XX na Argentina estava exilado na Europa e o país passava por um período conturbado em sua estrutura. Nesse contexto, Ludwig von Mises foi até Buenos Aires para uma série de palestras na Facultad de Ciencias Económicas da Universidad de Buenos Aires para alunos dispostos a conhecer alternativas às desastrosas ideias predominantes em sua política nas últimas décadas. Em 1979, seis anos após a sua morte, Margit von Mises, sua esposa, compilou as transcrições destas palestras em um livro intitulado As Seis Lições. As tais lições apresentadas são divididas em: capitalismo, socialismo, intervencionismo, inflação, investimento estrangeiro e, por fim, políticas e ideias. Mesmo com toda a clareza de seus ensinamentos, Mises continua como um autor cujo trabalho é consumido apenas por liberais convictos. Se a sua obra “furar a bolha”, não há dúvidas de que mais pessoas de desvencilharão do paternalismo estatal. É difícil conhecer alguém que não tenha sido exposto ao conceito da luta de classes de Marx. A tese da existência de um grupo insubstituível e capaz de ter a sociedade na palma das suas mãos através da exploração do trabalhador é uma explicação sedutora, porém irreal e simplista. Existe, de maneira geral, uma concepção equivocada de que o empresário é o agente dominante da sociedade. Pelo contrário, o empresário é apenas uma peça do tabuleiro do livre mercado que está a mercê dos consumidores e que pode ser facilmente substituído por outros empresários que ofereçam um produto mais barato, de melhor qualidade e um melhor atendimento. Em uma economia cada vez mais padronizada e de fácil comparação, é difícil de acreditar que qualquer empresário sem a detenção de um monopólio tenha algum poder de pressão sobre seus consumidores. Parte da visão de Mises sobre o intervencionismo talvez gere algum desconforto aos liberais mais próximos do Anarcocapitalismo. O autor discorda da frase “O melhor governo é o que menos governa”, pontuando que o governo deve realizar com excelência as funções que lhe são atribuídas. Mises defende que o papel do Estado é proteger as pessoas dentro do país contra as investidas violentas e fraudulentas de bandidos, bem como defender o país contra inimigos externos. Um dos temas mais assombrosos é controle de preços. Assombroso, pois a cada crise ou tragédia este tema volta a ser posto em pauta por políticos e entusiastas da heterodoxia. É insustentável congelar preços de um setor sem que se gere uma crise de desabastecimento, os efeitos são contrários aos almejados. Além disso, a conectividade das cadeias de suprimentos gera uma espiral onde a intervenção em cada produto implica em uma necessidade de intervenção em seus predecessores que, ao fim deste looping, perpetua-se um controle de preços em toda a economia, chegando em um desabastecimento sistêmico. Não precisamos ir até a Rússia Soviética para verificar os resultados desses experimentos, já ousamos realizar tais insanidades no Brasil em 1986 com o não tão saudoso José Sarney. O resultado? Exatamente o descrito por Mises em 1959. Um leitor ainda não convencido da importância de uma economia de mercado para a liberdade talvez pense que existe uma terceira via de solução, o famoso, “nem lá, nem cá”. Existe um problema fundamental nessa abordagem. Permitir que intervenções governamentais sejam realizadas pontualmente abrirá uma prerrogativa para que essas deixem de ser pontuais e passem a se tornar frequentes sob qualquer justificativa que for conveniente. A inflação é uma forma discreta de arrecadação do governo, mas não a única. O aumento de impostos não é a via predileta para tal, uma vez que é uma escolha impopular e o governo é composto de políticos que buscam se reeleger. Para isso, a melhor forma para o Estado arrecadar recursos é por meio da impressão de papel- moeda. É claro que ninguém, principalmente no Brasil, deseja inflação, portanto essa emissão é travestida sob alguma justificativa vista como nobre aos olhos dos cidadãos. O fato é que existem pessoas e grupos que são beneficiados pela inflação. A emissão de novo dinheiro é como um esquema de pirâmide: ganha quem chega primeiro e os últimos da fila são os prejudicados. Lord Keynes classifica o ouro como “relíquia bárbara”, buscando uma desindexação da oferta monetária com o volume de reservas de ouro que uma nação dispõe. Para Mises, o padrão-ouro é um sistema capaz de frear a emissão livre de moeda de um governo devido à sua característica de ser independente das políticas governamentais, removendo ou diminuindo o poder deste para gerar inflação. Keynes estava correto na época errada. O ouro é sim uma “relíquia bárbara”, mas obteve esse título apenas após o advento do bitcoin, que funciona como substituto ideal para o ouro. Constantemente vemos, tanto pelo braço conservador quanto pela esquerda, a argumentação de que estamos vendendo nosso país permitindo que estrangeiros invistam no Brasil. O primeiro despreza o capital chinês, já o segundo desdenha do capital americano, carinhosamente chamando-o de imperialista. Mises, mais uma vez de maneira lúcida, apresenta a importância do capital estrangeiro para o desenvolvimento de uma nação. Países com maior montante de capital investido per capita são países com melhor qualidade de vida, independente da origem do dinheiro. A hostilidade ao investimento estrangeiro somente traz retrocesso. A vida política é um emaranhado de grupos de pressão que buscam isoladamente defender os seus interesses, sejam eles congelamento de preços, aumento de salários, tarifas protecionistas ou qualquer outra forma que distorça a atuação de um livre mercado em detrimento de seu benefício. O governo longe está de defender os interesses de cidadãos, pelo contrário, é uma instituição cuja estrutura sistematicamente defenderá interesses de minorias com relacionamentos obscuros nas entranhas deste leviatã disfarçado de salvador dos fracos e indefesos. Ao fim de suas palestras, Mises se mostra um otimista com o futuro da liberdade. Após essa aula espetacular aos argentinos, me pergunto: Por que a Argentina não ouviu Mises? Sua famosa frase, “Somente as boas ideias podem iluminar a escuridão” é uma verdade, mas talvez a escuridão seja
Silvio Santos: o líder que transformou pessoas em protagonistas

Silvio Santos é uma dessas figuras que só o Brasil poderia produzir. Um homem que em meio a todas as dificuldades, ergueu um império baseado na simplicidade, na confiança, e, acima de tudo, nas pessoas. Ele é o exemplo perfeito de como um líder pode ser ao mesmo tempo genial e humano, alguém que entende o valor de um sorriso tanto quanto o de uma estratégia bem-feita. A atriz e apresentadora Maisa Silva, que desde os cinco anos teve seu talento reconhecido e impulsionado por Silvio, publicou uma emocionada homenagem ao ex-patrão: “Com o Silvio, eu me sentia livre para ser como eu não era em nenhum outro lugar. Aprendi a valorizar a plateia, respeitar o público e a fluir com espontaneidade (…) Ele tratava os colaboradores do SBT com o mesmo sorriso no rosto que ele nos dava todos os domingos.” Imagine a cena: uma criança de cinco anos, cheia de energia e sonhos, é colocada à frente de um programa de TV ao vivo. Qualquer outro executivo teria torcido o nariz, achado um risco absurdo. Mas Silvio não. Ele foi lá e fez. Porque Silvio Santos sempre enxergou além. Ele não via apenas uma menina. Ele via uma estrela, um talento esperando para ser revelado. Ele apostou na Maisa, como apostou em tantos outros, porque entendeu que o verdadeiro valor está nas pessoas, e não nas fórmulas prontas. O que Silvio Santos construiu não foi apenas uma emissora de televisão, mas uma celebração ao humano, àquilo que faz da TV algo além de uma tela de entretenimento: o contato direto, a proximidade, o calor. No SBT, ele não era apenas o dono. Era aquele que caminhava pelos corredores, que decorava nomes, que apertava mãos com a mesma sinceridade de quem apertava as mãos de milhões de brasileiros todas as noites. Ele sabia que o segredo para uma grande empresa não estava apenas nos números, mas nas pessoas que transformam números em realidade. Silvio Santos é o avesso do líder moderno, polido, tecnocrata e frio. Ele nunca precisou de grandes teorias de liderança, de gurus ou manuais. Ele simplesmente entendeu, desde o começo, que liderar é acreditar. Acreditar no impossível, no improvável, naquilo que só ele conseguia enxergar. Ele fez isso com a Maisa, fez isso com seu império e fez isso com cada pessoa que cruzou o seu caminho. E, por isso, ele é Silvio Santos. Porque ele nos ensinou que a TV, no fundo, não é sobre programas. É sobre gente. É sobre tocar a vida das pessoas, de um jeito ou de outro, com alegria, com emoção e com verdade. No fim, o que Silvio Santos nos deixa não é só um legado de sucesso empresarial. É uma lição de humanidade. De como um homem pode ser gigante e, ao mesmo tempo, profundamente humano. Ele mostrou que acreditar nas pessoas, dar-lhes espaço e valor, é mais do que uma estratégia. É a essência de tudo. E isso é o que faz de Silvio Santos um líder de verdade, um líder que transcende a lógica e toca naquilo que realmente importa: a alma humana. Para aqueles interessados em explorar mais sobre a influência dos empreendedores que, assim como Silvio Santos, protagonizam o desenvolvimento do país, acontecerá no dia 11 de outubro em São Paulo o Fórum Caminhos da Liberdade – Quem construiu o Brasil?, que reunirá nomes como João Adibe e Gabriela Feffer compartilhando suas experiências sobre como transformam desafios em oportunidades e contribuem para o avanço econômico do nosso país. *Por Maria Eugênia Cerchi, Diretora Administrativa na Scala e associada do Instituto de Formação de Líderes de São Paulo (IFL-SP).