IFL – SP

POPULISMO FISCAL: O LUXO MAIS CARO DO BRASIL

Imagine um imposto que o governo cobra de você todos os dias, mas sem mandar boleto, sem passar pelo Congresso e sem nem avisar. Esse imposto existe, e se chama inflação. A cada vez que o preço do arroz sobe, o aluguel aumenta ou o salário parece encolher cada vez mais antes do fim do mês, o Estado já cobrou sua parte. Ludwig von Mises, o pai da economia austríaca, que dedicou a vida a estudar o poder do dinheiro, dizia que a inflação é um método de confisco de riqueza. Ela tira dos que produzem e poupam, e entrega aos que gastam sem limite: o Governo. Nos últimos anos, o Brasil redescobriu uma velha tentação: a de acreditar que basta o Estado apertar o botão da impressora monetária para resolver seus problemas. E por incrível que pareça, por um breve momento, tudo pareceu dar certo. O consumo reagiu, o crédito fluiu e a economia respirou. Era o “dinheiro mágico” comprando tempo político. O governo, na figura do atual chefe do Poder Executivo, diz lutar pelos pobres, mas é a própria inflação, gerada por seus gastos, que empobrece quem tem menos.  É redistribuição ao contrário: tira de quem trabalha e dá a quem promete. Enfim, a ignorância! Mas, como alertava Friedrich Hayek, as boas intenções do intervencionismo econômico, pavimentam o caminho para a servidão. A prosperidade gerada pelo gasto artificial é um espelho: reflete otimismo no curto prazo, mas distorce a realidade vivida pelo país. Quanto mais o Estado “cria” dinheiro, mais desorganiza os preços, reduz o poder de compra e, ironicamente, amplia a desigualdade que diz tanto combater em período eleitoral e em discursos vazios. Nós, brasileiros, conhecemos bem esse roteiro. O gasto público avança mais rápido que a produção, a dívida cresce e o Banco Central, na sua condição de órgão técnico independente, é forçado a subir juros para conter a inflação, fabricada pelo próprio governo. É o paradoxo da “mão que dá e tira”, onde o Estado injeta liquidez com uma mão e confisca poder de compra com a outra. O resultado, é este ciclo perverso que vivemos. Quanto mais se promete “estimular a economia”, mais se asfixia o cidadão comum com impostos invisíveis, créditos caros e um custo de vida que não para de subir. Nada é mais injusto do que ver o esforço de uma vida inteira perder valor de um dia para o outro. Quando o dinheiro se desvaloriza, não é apenas a moeda que enfraquece, é o trabalho que perde sentido, a poupança que se dissolve e o futuro que fica cada dia mais distante. Estabilidade não é um número qualquer em uma planilha excel, é o direito da pessoa natural de confiar que, o que você constrói hoje, continuará valendo amanhã. Friedman resumiu de forma cirúrgica esse pensamento, dizendo: “A inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário.” Ou seja, não existe inflação “espontânea”, nem culpa do “mercado”. Existe excesso de gasto e falta de coragem política para dizer “não” ao populismo econômico. Ao contrário das soluções mágicas que costumam seduzir a política, o crescimento econômico genuíno não nasce da impressão de dinheiro, mas do aumento da produtividade. A prosperidade não se decreta, ela se constrói com trabalho, inovação e responsabilidade. E nenhuma economia consegue florescer, onde falta confiança. Ela só existe quando a moeda mantém ao menos o seu valor, ou seja, quando o que vale hoje continuará valendo amanhã. Quando o governo anuncia grandes pacotes de investimento e programas de incentivo, o que salta aos olhos são as inaugurações, os discursos e as promessas de prosperidade. O que não aparece é o outro lado da conta: o poder de compra que desaparece, a poupança que se desvaloriza e os projetos que deixam de sair do papel por falta de previsibilidade. A inflação, nesse contexto, é o imposto mais silencioso. Ela não é votada nem publicada em decreto, mas atinge todos igualmente e, quase sempre, pesa mais sobre quem tem menos. Enquanto o Estado garante que está “estimulando a economia”, o cidadão percebe o contrário: o pão, o transporte e a conta de luz ficam mais caros, e o orçamento familiar encolhe um pouco mais a cada mês. A verdadeira responsabilidade de um governo não é gastar mais, mas gastar melhor. Não existe prosperidade duradoura quando o valor do dinheiro muda ao sabor da política. Quando a moeda perde sua força, o trabalho perde sentido e a confiança, que é o alicerce de qualquer economia, começa a ruir. Responsabilidade fiscal não é frieza ou insensibilidade social, é respeito com os direitos fundamentais das pessoas, que ao menos deveriam garantir não apenas o mínimo necessário para uma existência digna, mas também são instrumentos de proteção dos indivíduos frente às ações do Estado. Respeito por quem acorda cedo, paga impostos e tenta planejar a vida. Respeito pelas próximas gerações, que não merecem herdar dívidas criadas por promessas de curto prazo de um governo irresponsável. A inflação é o sintoma mais cruel da irresponsabilidade pública. Ela corrói a renda, desorganiza o esforço e faz o cidadão pagar por erros que não cometeu. Controlar os preços não é uma questão de planilha, é uma questão de dignidade nacional. O exemplo mais próximo está logo ao lado. A Argentina viveu, nos últimos anos, o retrato do que acontece quando o gasto público descontrolado e a emissão de moeda se tornam política permanente. Décadas de populismo fiscal corroeram o valor do peso e a confiança da população, levando à dolarização informal e à perda quase total do poder de compra. A lição é dura, mas clara: quando a política ignora a matemática, a economia cobra em prateleiras vazias, salários insuficientes e um futuro cada vez mais caro.  E mesmo com o exemplo na porta do lado, o Brasil parece flertar com o mesmo erro que afundou o país vizinho. Subestima a matemática, prioriza o curto prazo e acha que gasto público é sinônimo de progresso. Mas não há prosperidade, quando o Estado consome o