A Eterna Espera: Brasil e Seu Futuro Prometido
Para tirar o Brasil do limbo entre o futuro prometido e o presente frustrante, é essencial analisar os fatores históricos, econômicos e sociais e aplicar princípios liberais para promover o desenvolvimento sustentável e a prosperidade.
O Brasil é frequentemente descrito como o “país do futuro”, porém essa expressão tornou-se ao longo dos últimos anos um símbolo de frustração e promessa não cumprida. O que era um horizonte de possibilidades tornou-se uma miragem distante.
Para transformar esse futuro em realidade, é essencial compreender e aplicar os princípios econômicos que promovem o desenvolvimento sustentável e a prosperidade. Conhecido como o último cavaleiro do liberalismo, Ludwig von Mises, em seu livro “As Seis Lições”, oferece uma visão clara de como o liberalismo econômico pode ser a chave para essa transformação.
O Brasil se encontra em um contexto geopolítico favorável. Enquanto muitos países de primeiro mundo enfrentam crises dramáticas, como segurança alimentar, ameaças cibernéticas e conflitos bélicos, nós nos destacamos pela abundância de recursos naturais, energia limpa e capacidade agrícola robusta.
Para aproveitar esse momento favorável, precisamos atrair investimento estrangeiro através de reformas que reduzam a burocracia e garantam segurança jurídica. Precisamos fugir das armadilhas do intervencionismo e adotar princípios liberais, promovendo um mercado livre e competitivo.
A Inutilidade do Intervencionismo e os Benefícios do Capitalismo: Lições de Mises e Marx
Quando olhamos para o contexto histórico, Mises nos esclarece sobre as práticas adotadas desde o Império Romano até a metade do século XX, período em que seu livro foi escrito.
Ludwig dizia: ” As nações só têm uma maneira de alcançar a prosperidade: por meio do aumento de capital, com decorrente aumento da produtividade marginal e o crescimento dos salários reais.”
Identificamos o caminho para a prosperidade e antes de mais nada, é importante analisar por que o socialismo e o intervencionismo não funcionam. Embora existam muitos motivos, este artigo destaca apenas um: a ausência do livre mercado.
A função principal de um governo é proteger os direitos individuais, manter a ordem e garantir segurança. Isso inclui a defesa contra agressões externas e a proteção dos cidadãos contra crimes e violência.
O intervencionismo significa que o governo não se restringe a essas atividades principais. Desejoso de fazer mais, passa a interferir nos fenômenos de mercado, preços, salários, taxas de juros e lucros.
Menos extremo que o socialismo, essas intervenções criam distorções no mercado, que prejudicam a eficiência econômica e a alocação ineficiente de recursos. Deveria ser óbvio, mas não é.
O ciclo desastroso do controle de preços funciona como um efeito cascata, ilustramos o congelamento do preço do leite. Quando um governo impõe um preço máximo ao leite para torná-lo mais acessível, isso resulta em um desincentivo para os produtores, pois o preço pode não cobrir os custos de produção. Esse desincentivo leva a uma redução na oferta de leite, causando escassez.
A escassez de leite, por sua vez, pode levar a um efeito cascata, onde a falta de leite força o governo a implementar controles de preços em outros produtos relacionados, como alimentos derivados do leite e rações para vacas. Essa intervenção contínua provoca distorções adicionais no mercado, resultando em uma cadeia de escassez e problemas econômicos mais amplos.
Um exemplo é a crise enfrentada por nossa vizinha Venezuela, onde o controle de preços resultou em desabastecimento generalizado e severas dificuldades econômicas.
Por outro lado, ao analisarmos a história mundial, fica claro que Marx estava errado. Em todos os países capitalistas, as condições de vida da população melhoraram significativamente. O capitalismo tem sido um motor de progresso e bem-estar, elevando o padrão de vida onde foi implementado.
Capitalismo e Investimento Estrangeiro: Motores de Crescimento
O livro “As seis Lições” de Ludwig Von Mises, oferece uma visão detalhada sobre esses dois elementos e como eles são interdependentes e complementares para um desenvolvimento econômico.
Para aqueles que ainda tem dúvida, destaco os 4 princípios fundamentais do capitalismo e como esses princípios podem ser aplicados para deixarmos de ser o país do futuro e ser o país do presente.
Livre Mercado e Competição: ao permitir que os preços se ajustem livremente, refletimos melhor as preferências e necessidades dos consumidores. A competição promove a eficiência e a inovação, resultando em produtos de melhor qualidade a preços mais baixos;
Propriedade Privada e Segurança jurídica: A propriedade privada assegura que os recursos sejam utilizados de forma responsável e produtiva, já que os proprietários têm interesse direto em maximizar seu valor. A garantia de que os direitos de propriedade serão respeitados e protegidos contra expropriações arbitrárias ou ilegais.
Estabilidade legal e Regulatória: Reduzir a burocracia e as barreiras à entrada de novos negócios, incentivando a competição e a inovação. Manter um conjunto de leis que não sejam sujeitas a mudanças frequentes e arbitrárias, proporcionando previsibilidade aos investidores.
Abertura e transparência ao Comércio Internacional: Facilitar o comércio internacional para integrar a economia brasileira à economia global e ampliar os mercados para produtos locais.
A defesa desses princípios, garantem um ambiente propício para o Brasil atrair investimentos estrangeiros. Podemos aproveitar não só o contexto da geopolítica mundial de conflitos bélicos, mas também uma mudança de investimento global pós pandemia.
Como ressalta o ex-ministro da Economia Paulo Guedes em seus discursos, o mundo está convergindo para os conceitos de “nearshore” e “friendly shore”. “Nearshore” envolve mover operações para países próximos, reduzindo custos e melhorando a eficiência logística. “Friendly shore” foca em investir em países com um ambiente de negócios amigável, segurança jurídica, estabilidade política e respeito à propriedade.
Ao adotar os princípios de Mises, o Brasil pode se tornar um destino atraente para esses investimentos, oferecendo estabilidade legal, proteção da propriedade privada e transparência regulatória, essenciais para a confiança dos investidores e o desenvolvimento econômico.
A oportunidade está à nossa frente mais uma vez, o investimento externo traz recursos adicionais que podem ser utilizados para expandir e modernizar a infraestrutura e os setores produtivos.
Atrair investimento estrangeiro é vital para modernizar a infraestrutura, aumentar a produtividade e criar emprego. Mises destaca que o investimento externo não só traz recursos financeiros, mas também tecnologias avançadas, habilidades gerenciais e acesso a mercados internacionais.
O que estamos falando aqui não é um pensamento ideológico, é uma constatação de fatos que podem ser vistos e analisados ao longo da história. Tomemos o exemplo da Grã-Bretanha, que aumentou significativamente o seu investimento per capita durante a Revolução Industrial ( século XVIII).
A Revolução Industrial, iniciada por volta de 1760, impulsionou a Grã-Bretanha a acumular capital e aumentar o investimento per capita através de novas tecnologias, como a máquina a vapor, e da mecanização da indústria têxtil. O crescimento industrial e a expansão do sistema bancário facilitaram a mobilização de capital e investimentos em infraestrutura, como ferrovias e canais, melhorando o transporte e o comércio.
Esse aumento de investimentos resultou em maiores oportunidades de emprego, melhores salários e avanços tecnológicos, que elevaram os padrões de vida da população britânica. A melhoria na infraestrutura e na eficiência produtiva, junto com os benefícios do comércio global, consolidaram a Grã-Bretanha como uma potência econômica e proporciona prosperidade e melhor qualidade de vida à sua população.
Assim, os benefícios do capital estrangeiro são paralelos ao que a Grã-Bretanha experimentou durante a Revolução Industrial: um ciclo virtuoso de crescimento econômico, aumento da produtividade e melhoria dos padrões de vida. Assim, promover um ambiente favorável ao investimento estrangeiro pode levar a um desenvolvimento econômico semelhante, proporcionando prosperidade e melhor qualidade de vida à população.
Vamos deixar de ser o País do Futuro?
O Brasil possui um imenso potencial para se tornar uma potência econômica, mas isso só será possível se adotar as lições do liberalismo econômico. Atraindo investimento estrangeiro, promovendo o livre mercado e reduzindo práticas intervencionistas, o país pode finalmente realizar o seu potencial e deixar de ser o “país do futuro” para se tornar uma nação próspera e desenvolvida. Ludwig von Mises nos fornece um roteiro claro para essa transformação, e é hora de o Brasil colocar essas ideias em prática.
Márcio Bernardes é Associado do IFL-SP, founder da SaúdeNow, um ecossistema para empreendedores da área da saúde, formado em administração pela PUC/RJ com MBA em finanças e Master Degree em International Management.