Alexandre de Gusmão: o Diplomata do Brasil Continental

O Brasil é um dos poucos países continentais no planeta. A FIFA possui 211 países-membros, número maior que o da ONU (193) e que o do Comitê Olímpico Internacional (205). Entre esses 211 membros, apenas quatro – Brasil, China, Estados Unidos e Rússia – compartilham a característica de serem países continentais com mais de 100 milhões de habitantes. Os quatro países são ricos em recursos naturais, estando entre os dez maiores produtores de petróleo e de alimentos do planeta. Dentre os países continentais, o Brasil se destaca por ter conseguido manter o território continental de forma perene, sem precisar passar por processos de unificação ou expansão, como os Estados Unidos, nem por fragmentações como ocorreu na América espanhola. Considerando o contexto de imigração diversa, intensa e numerosa ao longo dos séculos, constituída por milhões de pessoas de diversas partes do planeta, com culturas diferentes, línguas diferentes, religiões diferentes e que, muitas vezes, já tinham histórico de tensão nas regiões de origem, isso se torna digno de ainda maior destaque. Nesse contexto, um diplomata merece ser reconhecido como um daqueles que mais contribuiu para a consolidação do atual mapa do Brasil: Alexandre de Gusmão. Por sua importância para o país, Alexandre de Gusmão é homenageado com um busto na Sala dos Tratados do Palácio do Itamaraty, junto ao do Barão do Rio Branco; e dá nome à Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), fundação cultural e think tank do Ministério de Relações Exteriores. Alexandre de Gusmão: a Origem Alexandre de Gusmão nasceu em Santos, na então Capitania de São Vicente, em 1695. Iniciou seus estudos aos sete anos no Colégio de Belas Artes da Bahia. Aos 13 anos, seguiu para Lisboa para morar com o irmão, Bartolomeu de Gusmão. Aos 19, é aceito na Corte do Rei D. João V, tornando-se próximo a ele, o que lhe rendeu a nomeação como secretário da Embaixada de Portugal em Paris para auxiliar o Conde da Ribeira Grande, então Embaixador na Corte de Luís XIV. A posição em Paris lhe permite estudar na prestigiosa Sorbonne, onde doutorou-se em direito civil, romano e eclesiástico. Após seu retorno a Portugal, concluiu seus estudos em Coimbra, a universidade de maior prestígio em Portugal na época, e logo ingressou no alto escalão da diplomacia europeia, participando de importantes negociações internacionais. Alexandre de Gusmão: o Diplomata Aos 19 anos, Gusmão deu início à sua carreira diplomática como secretário do embaixador português em Paris. Lá, começou a se familiarizar com as complexas relações diplomáticas entre Portugal, França e Espanha. Em Paris, Gusmão se viu diante de um cenário político tumultuado, com disputas em torno da fronteira norte do Brasil. . O Tratado de Utrecht acabou por beneficiar o futuro Brasil independente ao definir o rio Oiapoque como limite no extremo norte, mas deixou questões com a França. Com a Espanha, os conflitos giravam em torno da Colônia do Sacramento, cidade situada no rio da Prata, de importância estratégica e palco de intensas disputas devido ao tráfego de prata e sua posição privilegiada. A experiência em Paris foi extremamente enriquecedora para o jovem Alexandre, que começou a entender a importância da habilidade diplomática para negociações estratégicas entre as nações. Após cinco anos em Paris, Gusmão foi nomeado para uma nova missão em Roma, onde permaneceu de 1721 a 1728. Lá, tratou de questões eclesiásticas importantes para o rei D. João V, como a concessão do título de cardeal aos núncios em Lisboa e a transformação da Capela Real em igreja patriarcal. Essas negociações exigiram de Gusmão uma profunda compreensão das relações entre a Igreja e o Estado, além de habilidades diplomáticas refinadas. Durante sua missão em Roma, Gusmão também se destacou por suas relações com figuras influentes da Cúria Romana, como o Cardeal Lambertini, futuro Papa Bento XIV. Essas boas relações o fortaleceram e o prepararam para os desafios vindouros. A experiência em Roma consolidou sua reputação de diplomata competente e confiável, capaz de lidar com questões tão sensíveis quanto complexas. Em 1730, Gusmão foi nomeado secretário particular de D. João V, posição que ocupou por duas décadas. Nesse período, ele se tornou um dos principais conselheiros do rei, atuando em diversas questões estratégicas, incluindo as duas mais importantes: a Igreja e o Brasil. Sua influência cresceu com o tempo, e ele passou a ser visto como um dos principais condutores da política externa portuguesa. O ápice da carreira de Gusmão veio com a negociação do Tratado de Madri, assinado em 1750, que expandiu significativamente o território brasileiro, definindo as fronteiras que hoje reconhecemos. O Tratado de Madri O Tratado de Madri, assinado em 13 de janeiro de 1750, foi um marco na história da diplomacia luso-brasileira, sendo fundamental para a formação do território brasileiro. A negociação com a Espanha foi complexa e exigiu uma habilidade diplomática excepcional, refletindo o tamanho e o impacto do acordo. Antes desse tratado, o Brasil era uma colônia com fronteiras indefinidas, com bolsões de riqueza dada a crescente produção de ouro e açúcar, mas vulnerável devido à falta de delimitação territorial reconhecida pelas grandes potências. As tensões com a Espanha eram constantes, especialmente em relação à Colônia do Sacramento, um ponto estratégico no rio da Prata que facilitava o fluxo de prata e representava uma ameaça aos espanhóis, dada a proximidade com Buenos Aires. Gusmão entendeu que seria necessário superar o Tratado de Tordesilhas e propôs a aplicação do princípio do uti possidetis, recuperado do direito romano, que reconhecia a posse da terra por aquele que efetivamente a ocupava. Ele também introduziu o conceito de fronteiras naturais, utilizando rios e montanhas como limites, em oposição às linhas arbitrárias traçadas em mapas. . Ambas as ideias, inovadoras para a época, foram fundamentais para delinear os contornos de um novo tratado. A negociação do novo tratado foi complexa e envolveu a troca de territórios estratégicos em diversas partes do mundo. Ele propôs a permuta da Colônia do Sacramento, no atual Uruguai, pelos Sete Povos das Missões, uma área de agricultura e pecuária no atual Rio Grande do
Banco Central quer ser a estatal que ninguém controla

O economista Roberto Campos, integrante da comissão brasileira em Bretton Woods – quando da criação do FMI e Banco Mundial -, ex-ministro e fundador do BNDES, dizia que “no Brasil, empresa privada é aquela que o governo controla e empresa pública é aquela que ninguém controla”. Hoje, o atual presidente do Banco Central, neto daquele economista, lidera uma campanha para criar uma empresa pública. E não seria uma empresa qualquer, seria a mais poderosa estatal de todos os tempos: A empresa pública Banco Central do Brasil. A nova estatal seria a primeira com vastos poderes normativos, regulatórios, fiscalizatórios e seria eximida de supervisão ministerial. Quer grandes poderes, mas não quer grandes responsabilidades. A mudança prevista na PEC 65/2023, de relatoria do Sen. Plínio Valério (PSDB-AM), pretende turbinar a autonomia orçamentária e financeira, dando um cheque em branco para o Bacen gastar recursos públicos com ampla liberdade, podendo copiar a irresponsabilidade fiscal e os penduricalhos existentes nas instituições que contam com similar autonomia. O Bacen já conta com autonomia operacional, garantida pela LC 179/2021, podendo tomar decisões sem pedir permissão a outros órgãos. Projetos como Open Finance, Pix e Drex se desenvolveram em um banco sem autonomia formal. A atual autonomia, de 2021, ainda é recente e deve ser avaliada. A necessidade de se avaliar e tomar decisões baseadas em evidências não vale apenas para políticas sociais. Se existe estudo que demonstra a melhoria da política monetária de 2021 para cá, ele deve ser apresentado e debatido. A superautonomia da PEC 65 daria ao banco um poder absoluto sobre os bens e políticas públicas que gerencia, retirando os freios e contrapesos típicos do Estado de direito. O Banco Central seria uma estatal que ninguém controla. No novo patrimonialismo proposto, o Banco Central não seria o guardião da moeda, mas seu dono, indiferente às opiniões dos representantes do povo. Os funcionários do Banco seriam os únicos aptos a opinar sobre o curso de ação, o que poderia tornar a instituição mais vulnerável à captura e à influência do poder econômico. A proposta é inconstitucional por vício de iniciativa, pois a Constituição confere ao Presidente a prerrogativa de iniciar propostas como essas. Não que isso valha muito, pois o STF – instituição dotada de autonomia análoga – validou a Lei 179/2021, provida do mesmo vício. Estamos diante de uma curiosa ironia do destino, em que o neto do célebre economista “Bob Fields” propõe a criação de uma estatal dotada de superpoderes e superautonomia sem precedentes, levando ao extremo a observação de seu avô. Maurício F. Bento é graduado e mestre em economia. Tem experiência no setor público e privado no Brasil e no exterior. É Diretor de Formação do IFL-Brasília e associado honorário do IFL-SP.
O tempo no sul

Desde o primeiro final de semana de maio o tempo anda diferente aqui no Rio Grande do Sul. Além da chuva, que caiu quase sem trégua, o tempo cronológico passou a andar muito rápido e muito devagar. Muito rápido para quem tentava fugir da enchente só com a roupa do corpo. Muito devagar para quem ficou esperando ser resgatado com a família no telhado. Muito rápido para os times de resgate que se arriscavam na correnteza para salvar outras vidas. Muito devagar para quem ficou em um abrigo esperando notícias dos parentes e amigos. O desespero só não foi maior graças aos milhares de voluntários, de todo o Brasil, que imediatamente abdicaram do seu próprio tempo para dedicá-lo aos outros. Não teve quem não ficou mais esperançoso com tanta grandeza humana. Agora, depois do caos inicial, o sentimento por aqui é de ansiedade pelo dia seguinte, pelo recomeço, como em um domingo que não termina. Nas ruas de Porto Alegre, uma das maiores cidades do Brasil, os dias quase pararam. A gente espera em câmera lenta o nível do Guaíba diminuir e a água chegar nas torneiras. Centenas de milhares de pessoas esperam voltar para casa, ou recomeçar em outro lugar. Empresas inteiras estão inundadas. Empresários e funcionários aguardam para saber se ainda vai ter maquinário, estoque, trabalho. E, porque é “praticamente domingo”, os comércios que não foram afetados também pararam de vender. Ainda tem gente esperando nas estradas, para sair ou chegar, e pelos caminhões de doação ou reabastecimento dos mercados. E tem a espera pela reabertura do aeroporto, esse que parecia que nunca ia parar. Mas mesmo com tantas coisas fora do controle, a passividade não é natural para o gaúcho. Ano passado, depois da enchente de setembro, uma ponte foi reconstruída pela própria população em Nova Roma do Sul. Dessa vez, heróis anônimos apareceram por todos os lados, salvando vidas, montando abrigos e doando aquilo que poderia fazer falta na própria casa. Em Três Coroas, o povo se uniu em um mutirão para tirar a lama e arrumar uma fábrica de calçados, que já voltou a produzir. Em Santa Catarina, comunidades “adotaram” cidades gaúchas para ajudar na limpeza e reconstrução. Os inúmeros elogios aos cidadãos e as incômodas críticas ao governo são mais que justos. Tem especial direito à crítica um povo que constrói pontes por conta própria, enquanto o Estado fracassa na simples manutenção de bombas e comportas. O que houve aqui não foi inédito, já aconteceu em 1941 e, em uma amostra não muito distante, em 2023. Mas não deu tempo (sim, o tempo!) de revisar o sistema de defesa e planejar alternativas, mesmo com acesso a tecnologias e conhecimento suficientes para que a tragédia não fosse tão grande. Também não foi possível evacuar ou alertar devidamente as cidades da grande Porto Alegre, quando já se sabia do enorme volume de água que vinha das outras regiões. Essa água inundou casas e empresas a 2 metros de altura – não só ali na beira do Guaíba, mas em ruas a mais de dez quadras de distância do lago. Como não se perguntar onde estava o Estado nessa situação? Estado esse que recebe quase cinco meses inteiros do salário de cada brasileiro, e que, por ser como é, deveria servir ao menos para articular soluções em enchentes, a nível nacional e local. Criticar o poder público nesse caso não é ignorar que ele é feito de pessoas. Também não é hostilizar servidores, que fazem parte da comunidade. É, sim, tentar entender: por que esses mesmos servidores conseguem gerar valor quando se mobilizam no bairro junto com os vizinhos, mas não conseguiram atuar como deveriam enquanto agentes do Estado? É fácil ignorar essa resposta quando, por acaso, as coisas vão bem. Mas é impossível ignorá-la se quisermos viver melhor. Agora, o tempo que não foi devidamente usado por quem era responsável é duramente tirado da população. Serão anos de reconstrução, além da perda incalculável das vidas que se foram. Felizmente, conformar-se nunca foi uma opção para o gaúcho. Os tempos andam diferentes no Rio Grande do Sul, afinal, porque é tempo de reconstrução, é tempo quem faz e nada mais. Giulia Baretta Axelrud – Honorária do IFL-SP e CEO da Snaq
Os Construtores do Brasil Moderno

O que será que existe por trás destes mares, Pedro? Quem diria que a velha Terra de Vera Cruz se tornaria uma das maiores economias do mundo? Para quem lembra que fomos descobertos por homens da maior ordem militar, econômica e intelectual da época – a Ordem de Cristo -, não é surpresa que acabamos nos tornando maiores que nossos próprios conquistadores. Essa é a beleza da dicotomia presente na fundação do Brasil. Nossa Identidade, Nossas Cores Por vezes, nós, brasileiros, nos esquecemos das nossas raízes, da nossa cultura. E como dizia um filósofo, um homem que desconhece o seu passado, jamais conseguirá ter orgulho do seu presente. A famosa “síndrome de vira lata” desapareceria se resgatássemos os líderes que tiveram o orgulho de ter sangue brasileiro em suas veias. A miscigenação entre indígenas, europeus e africanos nos tornou um país raro, uma cultura acolhedora e diversa, raramente vista na história. Talvez, apenas o Império Romano tenha tido uma capacidade similar de absorção cultural como o Brasil, onde tantos costumes coexistem em harmonia. O que faz você se orgulhar de vestir a amarelinha? Muitos associam o amarelo ao ouro e o verde à vegetação, mas, na verdade, o verde representa a família Orleans de Bragança e o amarelo, a dinastia dos Habsburgos. Ambas eram as famílias mais poderosas da Europa, tamanha era a importância do Brasil no 7 de setembro de 1822, dia da nossa independência. Um Ateniense em Solos Brasileiro Neste contexto, surge um dos maiores estadistas brasileiros – José Bonifácio de Andrada e Silva. Filho de uma família aristocrática, estudou na Universidade de Coimbra. Ele presenciou de perto o caos da Revolução Francesa e chegou a lutar contra as tropas napoleônicas na invasão de Portugal. Quando D. João VI retornou a Portugal, deixando o Brasil nas mãos de D. Pedro I, Bonifácio foi o primeiro a reconhecer o poder do novo príncipe regente, pedindo que ele permanecesse no país. Ele temia que o Brasil se fragmentasse, como aconteceu com nossos vizinhos hispânicos. Bonifácio foi um dos líderes políticos na independência brasileira e escreveu 200 leis em 1 ano. Mesmo após ter criado oposição a D. Pedro I, o mesmo, na carta de sua morte, pediu para que Bonifácio assumisse como tutor de seu filho D. Pedro II, reconhecendo-o como o homem mais virtuoso do Brasil. Antes de morrer, disse o seguinte: “O brasileiro será o novo ateniense se não cair na tirania do Estado.” Infelizmente, caímos. O Imperador que Não Era Imperador No século XIX, tivemos o maior empreendedor que o Brasil já conheceu. Se hoje admiramos Steve Jobs ou Elon Musk, o Barão de Mauá foi ainda mais poderoso, mas poucos brasileiros conhecem sua biografia. Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, foi maior que o próprio império brasileiro. Criou a primeira indústria do Brasil, a primeira ferrovia, fundou o Banco do Brasil, trouxe luz para as cidades, criou comércios estrangeiros, foi abolicionista e intelectual. Mauá, filho de agricultores, começou cedo no Rio de Janeiro e, aos 14 anos, já tinha uma responsabilidade equivalente a um VP de finanças. Exposto aos ideais do livre mercado de Adam Smith, ele teve a sorte de encontrar um mentor escocês que o ensinou sobre negócios. Após uma viagem a Londres, Mauá trouxe inovações para o Brasil, usando mão de obra qualificada, oferecendo participação nos lucros e criando indústrias. Seu maior legado talvez não sejam suas empresas, mas sua mensagem: “Labor Improbus Omnia Vincit” – com esforço, tudo se conquista. Ciência e Inovação – Nós Temos Ah, mas o Brasil nunca formou nenhum grande cientista! Será mesmo? A viagem rápida de São Paulo até Londres? Agradeça a Santos Dumont, o pai da aviação. Que horas são? Dumont inventou o relógio de pulso. Feliz por tomar um banho quente? Agradeça a ele mais uma vez. Era Uma Vez um Bisavô Imigrante.. Todos nós já ouvimos histórias de um bisavô que veio como imigrante da Europa e com muito suor, sangue e lágrimas mudou de patamar deixando um legado que os bisnetos usufruem até hoje – Francesco Matarazzo foi um deles. Antes de embarcar para o Brasil, gastara todo o seu dinheiro na compra de banha de porco para trazer e comercializar no Brasil, no entanto, a sorte não estava ao seu lado. Logo ao desembarcar, toda a sua mercadoria afundou no mar e ele ficou literalmente sem um centavo no bolso em um país em que nem a sua língua falava. Pois bem, no final da vida morreu como o 5° homem mais rico do mundo. Tempos difíceis criam homens fortes — uma verdade metafísica incontestável. O Sonho Grande E o que falar sobre Jorge Paulo Lemann e seus sócios que construíram o mercado financeiro no Brasil – um dos mais desenvolvidos no mundo? No começo do século XXI, tiveram a coragem de comprar a Anheuser-Busch da Bélgica, formando a maior cervejaria do mundo. Algo quase impossível, mas é justamente neste termo — quase impossível — que se define a virtude da coragem. Coragem é quando nos propomos a fazer algo cujas chances são estatisticamente ínfimas e, mesmo assim, o fazemos. Isso me lembra da invasão de Alexandre o Grande ao Império Persa com 40 mil homens e suprimentos para apenas 30 dias, quando o império tinha mais de 300 mil combatentes. O mais lógico era o inverso acontecer, assim como seria lógico que a Anheuser-Busch comprasse a Ambev. Um empreendedor é do tamanho do seu sonho, e o Brasil tem a sorte de ter empreendedores cujos sonhos não foram grandes demais. Lideranças Femininas E, por último, nossas inspiradoras lideranças femininas: Princesa Isabel, que é a melhor imperatriz que nunca tivemos, que enfrentou grupos de poder para abolir o fim da escravidão – e assim o fez – mesmo sabendo que isso representaria o fim da família imperial. Maria Quitéria, que foi a 1°militar brasileira lutando na guerra da independência do Brasil. Gisele Bündchen, ícone global de beleza. Cristina Junqueira, fundadora do Nubank – a maior fintech B2C do mundo
O futuro da moeda em tempos de incerteza

As tensões geopolíticas recentes e o avanço acelerado das inovações digitais vêm desafiando não apenas a hegemonia do dólar, mas também a própria forma como o dinheiro circula pelo mundo. Um sistema centralizado em torno de moedas de reserva e arranjos tradicionais de pagamentos que parecia estável por décadas agora convive com alternativas decorrentes do momento de profunda transformação que passa pelos criptoativos, blockchain e moedas digitais de bancos centrais, além de novos arranjos que buscam rapidez, menor custo e maior autonomia. Esse cenário dialoga diretamente com as reflexões que Gustavo Franco externou no ensaio O futuro do dinheiro, em 2020, publicado e disponível no Instituto de Estudo de Política Econômica/Casa das Garças. No referido ensaio, Franco relembra que a moeda é, antes de tudo, uma convenção social. Ou seja, seu valor não está na substância, mas na confiança (daí vem a fidúcia) que a sociedade deposita. Essa confiança atravessou diferentes fases históricas, passando pela da moeda-mercadoria e moeda fiduciária, e hoje se projeta sobre novas tecnologias e experimentos financeiros. Franco observa que vivemos um momento de pluralidade monetária, em que distintos arranjos coexistem e disputam legitimidade. Essa multiplicidade não é inédita, mas ganha novo alcance com a digitalização e com o papel dos Estados em decidir o que regular, tolerar ou coibir. O futuro, diz o autor, permanece em aberto: prematuro para lições definitivas, mas repleto de promessas e possibilidades. Nesse contexto de transformação, o Pix surgiu como resposta brasileira às demandas por rapidez, baixo custo e inclusão nos pagamentos. Criado como um arranjo de pagamentos instantâneos, ele sintetizou as tensões descritas por Franco, traduzindo em prática a convergência entre tecnologia, novos hábitos de consumo e o papel das instituições em garantir confiança no sistema monetário. O Pix ilustra também uma característica particular do arranjo brasileiro, que foi concebido e implantado pelo Banco Central do Brasil, que atua ao mesmo tempo como regulador e empreendedor, ao que Franco destaca que “o regulador leva sua tarefa tão a sério, que toma para si a tarefa de empreender, ou de fazer acontecer o que o setor privado provavelmente faria, mas com enormes desafios para o mundo regulatório”. Essa sobreposição de funções tem suscitado debates sobre o alcance da ação estatal em relação a soluções privadas, ao mesmo tempo em que coloca o Banco Central do Brasil no centro das discussões sobre inovação e regulação monetária. O tema, inclusive, é objeto de discussão recente levantada pelos Estados Unidos. Em linha com as reflexões de Franco, o economista Paul Krugman chegou a refletir, em julho do corrente ano, se “Has Brazil Invented the Future of Money?”, destacando o Pix e sua adoção massiva, sua eficiência e seu baixo custo como indicadores de inovação monetária global. Gustavo Franco, que é ex-presidente do Banco Central do Brasil e um dos principais responsáveis pelo Plano Real, que reestabeleceu a estabilidade da moeda no Brasil, conclui seu ensaio refletindo que é cedo para prognósticos, mas destaca que o futuro do dinheiro será mais complexo do que se imaginava, marcado por tensões entre inovação, regulação e confiança. Em meio à incerteza, a história se repete: o dinheiro continua a se reinventar. Gustavo Franco é uma das vozes mais relevantes no debate econômico brasileiro e estará presente no Fórum Caminhos da Liberdade, que ocorrerá no próximo dia 11 de setembro, no Teatro Vibra, em São Paulo, para conversar sobre os rumos que o Brasil precisa adotar a fim de assegurar estabilidade, crescimento e liberdade de mercado. Victor Chang Almeida Carvalho – Advogado, com atuação nos mercados financeiros e de capitais. Associado ao Instituto de Formação de Líderes de São Paulo (IFL-SP).
As sanções norte-americanas ao Ministro Moraes e aparente tentativa de resposta (calculada?) do Estado brasileiro – Entre soberania, autoproteção e Poder

A recentíssima decisão de 18/08/2025 proferida, pelo Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 1.178, declarando que leis e atos estrangeiros não produzem efeitos automáticos no Brasil, porque sujeitas à chancela do Poder Judiciário, parece marcar mais do que um princípio de resposta jurídica às recentes sanções dos Estados Unidos ao Ministro Moraes sob o Magnitsky Act. Revela uma estratégia institucional deliberada para blindar o Supremo Tribunal Federal e projetar uma defesa de Estado brasileiro com recurso retórico à soberania nacional. Longe de ser apenas reação ao endurecimento político externo, a movimentação que agora se cristaliza já vinha sendo pavimentada com precisão: projetos de lei (como o dito ‘PL da Soberania Financeira’, do PSOL), pedidos cautelares junto ao Supremo (como o do deputado Lindbergh Farias, do PT) etc., como preparação de um terreno processual que possibilite ao STF decidir “em bloco”, colegiadamente, no Plenário – e, principalmente, com eficácia vinculante para todos os órgãos do Estado brasileiro e todas as pessoas, físicas ou jurídicas, sob a sua jurisdição –, que tais sanções violam não apenas a Constituição, mas os próprios fundamentos da ordem internacional respeitável. Nesse cenário, a figura do Ministro Moraes deixa de ser a de um indivíduo sancionado. Torna-se símbolo da arquitetura institucional brasileira diante da pressão externa. E é esse deslocamento, do pessoal para o estatal, que torna a controvérsia particularmente delicada. O risco, aqui, não é apenas de constrangimento diplomático, mas da conversão de um embate jurídico-político em litígio internacional, em cenário mais extremo, inclusive, com a eventual invocação, por qualquer dos lados, do direito de proteção diplomática – o mecanismo do Direito Internacional que permite a um Estado assumir para si a defesa dos interesses dos seus nacionais como expressão da própria soberania. Tanto a Constituição brasileira quanto a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro oferecem, ao Supremo e ao Executivo, fundamentos para reagir às recentes movimentações dos EUA sob o Magnitsky Act: a soberania nacional com fundamento constitucional do Estado (art. 1º), a independência nacional como princípio constitucional das relações exteriores (art. 4º); e o artigo 17 da LINDB, que nega eficácia a atos estrangeiros que contrariem a ordem pública ou a soberania. Mesmo que cientes de que a extraterritorialidade de lei estrangeira não equivale, por si só, à violação da soberania nacional – e estão cientes disso –, esses fundamentos jurídicos comportam utilização retórica deliberada, para dar um verniz (ou aparência ilusória) de defesa soberania da institucionalidade àquilo que, na verdade, trata-se, ao fim e ao cabo, de defesa do indefensável (os atos antijurídicos do Ministro Moraes, sob a Relatoria do Inquérito das Fake News, sobretudo). O Tribunal – e o Executivo, com ele alinhado – sabe que não reagir às sanções seria abrir o flanco para um estado de vulnerabilidade que permite à própria Corte ataques futuros, o que, por autopreservação, não podem admitir. Em resumo, parece estar em curso, juridicamente, a marcha (insensata) para institucionalizar reação. Se isso conterá ou escalará a tensão, os próximos desdobramentos dirão, podendo, inclusive surpreender, para o bem ou para o mal, o que é da natureza da Política. O que parece claro, porém, é que estamos diante de um caso em que a retórica da liberdade e a prática da blindagem se entrelaçam de forma tão estratégica quanto calculada. A reconstrução institucional do país, em um cenário em que soberania, liberdade, responsabilidade e Poder se reposicionam, exige mais do que narrativas apressadas, improvisadas, inconsistentes. Exige debate sério, plural e consequente. É exatamente esse o propósito do Fórum Caminhos da Liberdade 2025, promovido pelo IFL-SP – Instituto de Formação de Líderes de São Paulo, no próximo dia 11/09. Sob o tema “Nova Rota, novo Brasil”, ele propõe uma travessia intelectual e cívica para quem quer compreender o presente e influenciar o futuro brasileiros, em uma hora que se mostra cada vez mais crucial. Encontre mais informações no site forumsp.org e participe. Líbero Rabaldo – Advogado e Associado ao IFL-SP – Instituto de Formação de Líderes de São Paulo
Menos barreiras, mais futuro: o debate que o país precisa ouvir

O Brasil carrega um potencial imenso, mas frequentemente vê esse potencial travado por obstáculos criados dentro de casa. O excesso de regras, a insegurança regulatória e a intervenção estatal em áreas que deveriam ser conduzidas pela sociedade e pelo mercado, minam a confiança de quem quer investir e produzir. Em vez de um ambiente que premie a eficiência e a inovação, ainda convivemos com uma rede de burocracias que consome tempo, energia e recursos, desestimulando empreendedores e limitando o alcance da economia. As consequências dessas restrições são visíveis. Pequenos e médios empresários enfrentam dificuldades desproporcionais para manter suas atividades; investidores se afastam por falta de previsibilidade; trabalhadores veem oportunidades se perderem pelo caminho. O Brasil, que poderia estar entre os países mais dinâmicos do mundo, segue abaixo de seu potencial, justamente porque a liberdade para empreender, competir e inovar é constantemente testada. Esse quadro fica ainda mais desafiador quando somado a questões políticas e sociais. O debate público, essencial para o funcionamento saudável da democracia, enfrenta pressões e limites que preocupam. Quando a divergência de ideias passa a ser tratada como ameaça, perde-se a chance de construir soluções conjuntas. E, sem espaço para o contraditório, até mesmo a economia sofre — porque o livre mercado não existe sem liberdade de expressão, sem pluralidade de visões e sem instituições fortes que garantam a liberdade e a autonomia. É por isso que eventos que colocam esses temas no centro da discussão se tornam tão relevantes. No próximo 11 de setembro, acontece o 12º Fórum Caminhos da Liberdade, que reunirá especialistas, líderes e empreendedores para debater os caminhos que podem destravar o Brasil. O encontro trará painéis sobre economia, política, segurança pública, liderança, empreendedorismo e liberdade de expressão, sempre conectados com as pautas mais atuais e com os desafios do momento. O Fórum será um espaço único para refletir sobre os rumos do Brasil em um momento de incertezas. Reunindo grandes nomes e vozes influentes, o encontro promete provocar ideias e inspirar novas soluções para os desafios do presente e do futuro. Mais do que um evento, será uma oportunidade de enxergar o país sob novas perspectivas. Um ambiente de diálogo, onde líderes, empreendedores e pensadores se encontram para repensar caminhos e mostrar que, mesmo diante de restrições, sempre há espaço para a criatividade e a inovação. No dia 11 de setembro, o Brasil terá diante de si um palco de ideias que podem transformar o futuro. O Fórum Caminhos da Liberdade é um convite para quem acredita que prosperidade e confiança só se constroem quando a liberdade encontra espaço para florescer. Em um tempo marcado por restrições e incertezas, o evento chega para lembrar que a liberdade é sempre o motor do progresso!
O novo mundo que Trump e Putin planejam construir

As cenas do bombardeiro B2 passando sobre Donald Trump e Vladimir Putin rodaram o mundo como um dos pontos altos do encontro que reuniu os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia no Alaska nos últimos dias. Em geopolítica, tudo é simbolismo, e no Alaska não foi diferente. Do moletom da antiga União Soviética utilizado pelo chanceler russo Serguei Lavrov ao aperto de mão mais do que apertado do presidente Trump, passando pela própria escolha do local do encontro: o Alaska, território que a Rússia vendeu aos Estados Unidos em 1867. No cardápio do encontro, o prato principal foi a redefinição das regras do jogo global. Mais do que discutir sanções ou a guerra na Ucrânia, Trump e Putin parecem buscar um novo arranjo de poder, uma tentativa de reorganizar as esferas de influência num momento em que a ordem que conhecemos parece estar ruindo – assim como ruiu o muro de Berlin em 1989, dando origem ao mundo como conhecemos hoje. O pano de fundo dessa aproximação é claro: a ascensão da China, uma União Europeia convalescente e cada vez mais burocrática, os BRICs se rebelando contra o dólar e se aliando pouco a pouco com os chineses. Tanto Washington quanto Moscou sabem que o protagonismo chinês vem alterando o equilíbrio geopolítico estabelecido nas últimas décadas. Ao se encontrarem em solo gelado, Trump e Putin enviam uma mensagem ao mundo: diante da expansão dos tentáculos políticos de Pequim, um eixo pragmático entre EUA e Rússia parece mais tão improvável quanto pareceria nos anos 90, quando a antiga União Soviética se esfacelou em pequenas repúblicas e a pax americana prevaleceu. A história mostra que esse tipo de movimento não é incomum: nos anos 1970, Henry Kissinger, o secretário de estado americano pai da “realpolitik” – a política conduzida de forma pragmática, pensando nos objetivos finais e menos na ideologia – foi responsável por costurar os laços entre Washington e Pequim, alterando para sempre a lógica da Guerra Fria. O pano de fundo era a ruptura entre China e União Soviética na década anterior, que abriu espaço para que os Estados Unidos explorassem essa fissura. Kissinger percebeu a oportunidade de se aproximar de Pequim para enfraquecer Moscou, preparando a histórica visita de Richard Nixon em 1972 e o Comunicado de Xangai, que redesenhou o tabuleiro global. Hoje, meio século depois, estamos vendo uma movimentação das placas tectônicas da geopolítica mundial que podem formar um novo “Himalaia”, digno de redefinir a ordem global como conhecemos até aqui. O aperto de mão entre Trump e Putin no Alaska pode não ter o mesmo impacto imediato do encontro de Nixon com Mao em Xangai, mas marca um gesto que vai repercutir na estratégia e nos próximos passos de Pequim, Bruxelas e do Oriente Médio. Não por acaso, nesta semana também ocorreu uma reunião de emergência entre os ministros de relações exteriores dos países da União Europeia. Para compreender os significados por trás dessas cenas, e o que elas dizem sobre o futuro do Brasil, é preciso ouvir quem estuda esses movimentos de perto. No próximo dia 11 de setembro, no Teatro Vibra, em São Paulo, o Fórum Caminhos da Liberdade trará ao público a oportunidade rara de acompanhar Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos BRICS e um dos maiores especialistas do país em geopolítica. Normalmente, debates dessa envergadura ficam restritos a cúpulas de governo ou conselhos de multinacionais. O Fórum, no entanto, abre esse acesso a todos, permitindo que o público compreenda de forma direta e qualificada como o novo mundo que Trump e Putin querem construir pode afetar cada um de nós.
A Eterna Espera: Brasil e Seu Futuro Prometido

Para tirar o Brasil do limbo entre o futuro prometido e o presente frustrante, é essencial analisar os fatores históricos, econômicos e sociais e aplicar princípios liberais para promover o desenvolvimento sustentável e a prosperidade. O Brasil é frequentemente descrito como o “país do futuro”, porém essa expressão tornou-se ao longo dos últimos anos um símbolo de frustração e promessa não cumprida. O que era um horizonte de possibilidades tornou-se uma miragem distante. Para transformar esse futuro em realidade, é essencial compreender e aplicar os princípios econômicos que promovem o desenvolvimento sustentável e a prosperidade. Conhecido como o último cavaleiro do liberalismo, Ludwig von Mises, em seu livro “As Seis Lições”, oferece uma visão clara de como o liberalismo econômico pode ser a chave para essa transformação. O Brasil se encontra em um contexto geopolítico favorável. Enquanto muitos países de primeiro mundo enfrentam crises dramáticas, como segurança alimentar, ameaças cibernéticas e conflitos bélicos, nós nos destacamos pela abundância de recursos naturais, energia limpa e capacidade agrícola robusta. Para aproveitar esse momento favorável, precisamos atrair investimento estrangeiro através de reformas que reduzam a burocracia e garantam segurança jurídica. Precisamos fugir das armadilhas do intervencionismo e adotar princípios liberais, promovendo um mercado livre e competitivo. A Inutilidade do Intervencionismo e os Benefícios do Capitalismo: Lições de Mises e Marx Quando olhamos para o contexto histórico, Mises nos esclarece sobre as práticas adotadas desde o Império Romano até a metade do século XX, período em que seu livro foi escrito. Ludwig dizia: ” As nações só têm uma maneira de alcançar a prosperidade: por meio do aumento de capital, com decorrente aumento da produtividade marginal e o crescimento dos salários reais.” Identificamos o caminho para a prosperidade e antes de mais nada, é importante analisar por que o socialismo e o intervencionismo não funcionam. Embora existam muitos motivos, este artigo destaca apenas um: a ausência do livre mercado. A função principal de um governo é proteger os direitos individuais, manter a ordem e garantir segurança. Isso inclui a defesa contra agressões externas e a proteção dos cidadãos contra crimes e violência. O intervencionismo significa que o governo não se restringe a essas atividades principais. Desejoso de fazer mais, passa a interferir nos fenômenos de mercado, preços, salários, taxas de juros e lucros. Menos extremo que o socialismo, essas intervenções criam distorções no mercado, que prejudicam a eficiência econômica e a alocação ineficiente de recursos. Deveria ser óbvio, mas não é. O ciclo desastroso do controle de preços funciona como um efeito cascata, ilustramos o congelamento do preço do leite. Quando um governo impõe um preço máximo ao leite para torná-lo mais acessível, isso resulta em um desincentivo para os produtores, pois o preço pode não cobrir os custos de produção. Esse desincentivo leva a uma redução na oferta de leite, causando escassez. A escassez de leite, por sua vez, pode levar a um efeito cascata, onde a falta de leite força o governo a implementar controles de preços em outros produtos relacionados, como alimentos derivados do leite e rações para vacas. Essa intervenção contínua provoca distorções adicionais no mercado, resultando em uma cadeia de escassez e problemas econômicos mais amplos. Um exemplo é a crise enfrentada por nossa vizinha Venezuela, onde o controle de preços resultou em desabastecimento generalizado e severas dificuldades econômicas. Por outro lado, ao analisarmos a história mundial, fica claro que Marx estava errado. Em todos os países capitalistas, as condições de vida da população melhoraram significativamente. O capitalismo tem sido um motor de progresso e bem-estar, elevando o padrão de vida onde foi implementado. Capitalismo e Investimento Estrangeiro: Motores de Crescimento O livro “As seis Lições” de Ludwig Von Mises, oferece uma visão detalhada sobre esses dois elementos e como eles são interdependentes e complementares para um desenvolvimento econômico. Para aqueles que ainda tem dúvida, destaco os 4 princípios fundamentais do capitalismo e como esses princípios podem ser aplicados para deixarmos de ser o país do futuro e ser o país do presente. Livre Mercado e Competição: ao permitir que os preços se ajustem livremente, refletimos melhor as preferências e necessidades dos consumidores. A competição promove a eficiência e a inovação, resultando em produtos de melhor qualidade a preços mais baixos; Propriedade Privada e Segurança jurídica: A propriedade privada assegura que os recursos sejam utilizados de forma responsável e produtiva, já que os proprietários têm interesse direto em maximizar seu valor. A garantia de que os direitos de propriedade serão respeitados e protegidos contra expropriações arbitrárias ou ilegais. Estabilidade legal e Regulatória: Reduzir a burocracia e as barreiras à entrada de novos negócios, incentivando a competição e a inovação. Manter um conjunto de leis que não sejam sujeitas a mudanças frequentes e arbitrárias, proporcionando previsibilidade aos investidores. Abertura e transparência ao Comércio Internacional: Facilitar o comércio internacional para integrar a economia brasileira à economia global e ampliar os mercados para produtos locais. A defesa desses princípios, garantem um ambiente propício para o Brasil atrair investimentos estrangeiros. Podemos aproveitar não só o contexto da geopolítica mundial de conflitos bélicos, mas também uma mudança de investimento global pós pandemia. Como ressalta o ex-ministro da Economia Paulo Guedes em seus discursos, o mundo está convergindo para os conceitos de “nearshore” e “friendly shore”. “Nearshore” envolve mover operações para países próximos, reduzindo custos e melhorando a eficiência logística. “Friendly shore” foca em investir em países com um ambiente de negócios amigável, segurança jurídica, estabilidade política e respeito à propriedade. Ao adotar os princípios de Mises, o Brasil pode se tornar um destino atraente para esses investimentos, oferecendo estabilidade legal, proteção da propriedade privada e transparência regulatória, essenciais para a confiança dos investidores e o desenvolvimento econômico. A oportunidade está à nossa frente mais uma vez, o investimento externo traz recursos adicionais que podem ser utilizados para expandir e modernizar a infraestrutura e os setores produtivos. Atrair
Quando Tudo é Violência, a Violência se Torna Banal

Segundo uma pesquisa da Workplace Intelligence em parceria com a INTOO (2023), 47% dos profissionais da geração Z afirmam receber melhores conselhos de carreira do ChatGPT do que de seus líderes diretos. À primeira vista, o dado pode parecer um traço geracional. Mas, ao aprofundar os resultados, percebe-se que a questão é mais estrutural do que etária. Mais da metade dos profissionais entrevistados, de todas as faixas, afirmam sentir-se sozinhos em relação ao próprio desenvolvimento de carreira. E apenas um em cada três sente que seu líder sabe, de fato, orientá-lo. O dado é chocante à primeira vista, mas o mais incômodo é o que ele revela: a lacuna de escuta e conexão que se instalou entre líderes e liderados. Estamos atravessando a maior crise de saúde mental da história. O Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde, é o país mais ansioso do mundo. Em 2024 teve o maior número de afastamentos por transtornos mentais em 10 anos, foram 472 mil licenças concedidas, um aumento de 67% em relação à 2023, segundo dados do Ministério de Previdência Social. Tudo isso acontece enquanto vivemos uma digitalização sem precedentes: processos, interações e até emoções vêm sendo mediados por algoritmos, telas e plataformas. Tudo ficou mais rápido, mais eficiente, com mais opções à disposição e, paradoxalmente, mais solitário. A produtividade cresceu, mas o senso de propósito, pertencimento e vínculo humano parece ter se diluído no caminho. Na dicotomia entre a hiperconexão digital e a desconexão humana, será que estamos preparados para liderar na era da digitalização de tudo? Parece que não. Mas ela já começou. Participei recentemente de um evento com dezenas de lideranças de RH e a mensagem era uníssona: precisamos repensar a gestão. Uma das painelistas apresentou uma previsão de que as novas gerações deverão ter, em média, até 40 empregos ao longo da vida. De acordo com o relatório Work Change Report do LinkedIn, profissionais que ingressam no mercado de trabalho atualmente estão propensos a ter o dobro de empregos ao longo de suas carreiras em comparação com 15 anos atrás. Permanecer dois anos numa empresa já será uma conquista. O foco, portanto, deixou de ser reter. O desafio agora é gerar sentido enquanto esse vínculo durar. Essa transformação tem tudo a ver com aprendizado. Segundo o painel “Skill Flux: The Death of Lifelong Expertise”, apresentado no último SXSW, a durabilidade média de uma habilidade caiu de 30 para 5 anos. E pode diminuir ainda mais até o fim da década. No Brasil, a pesquisadora Michele Schneider aprofunda esse tema no livro O Profissional do Futuro, mostrando como a obsolescência das competências exige uma ruptura nos modelos tradicionais de desenvolvimento: menos longas jornadas, mais trilhas práticas e sob demanda. Menos controle, mais cultura de aprendizagem ativa. Não é mais uma questão de saber tudo, é preciso aprender o tempo todo. O novo papel da liderança é, acima de tudo, emocional. Criar espaços seguros onde seja possível admitir dúvidas, vulnerabilidades e medos. Humildade, empatia e escuta se tornam competências tão estratégicas quanto planejamento e execução. Como defende Michele Schneider, a liderança do futuro se move entre coragem e cuidado, entre performance e presença. A palavra “humildade” vem de humus, o solo fértil. É daí que deve brotar a liderança do futuro: da consciência de que estamos todos aprendendo, todos sob o mesmo sol. Não há mais espaço para certezas absolutas nem para gurus de ocasião. O que há é a disposição de ser real. Presença, em tempos digitais, é mais do que estar online. É reconhecer, ouvir, ser acessível. Num contexto de trabalho híbrido, isso se torna ainda mais urgente. Uma pesquisa da Cigna Corporation, com mais de 10 mil trabalhadores de oito países, revelou que 61% dos profissionais se sentem solitários no trabalho, o que compromete engajamento, bem-estar e saúde mental. Estamos em uma era de mudança constante. A cada novo ciclo, mais curto que o anterior, habilidades se tornam obsoletas e outras nascem. O profissional que prospera é aquele que cultiva o mesmo espírito do aprendiz de uma criança: capaz de andar, tropeçar, levantar-se e seguir, quantas vezes forem necessárias. No fim, talvez a pergunta mais importante não seja “como a IA vai mudar o trabalho?”, mas sim: por que tantos preferem ouvir a IA a seus próprios líderes? E o que isso revela sobre os espaços que deixamos vagos? A resposta não está em competir com a máquina, mas em ocupar plenamente o que só o humano pode oferecer: o vínculo, o sentido, a presença que transforma um dado em direção e uma dúvida em confiança. A IA pode otimizar tarefas. Pode até aconselhar com base em padrões. Mas ela não reconhece silêncios. Não percebe hesitações no olhar. Não sabe o que você não disse. Liderar, nesse novo tempo, é assumir esse lugar sutil, e poderoso, de estar onde os algoritmos não alcançam. Não é ser insubstituível por superioridade, mas por profundidade. Porque, ao contrário do que se teme, o futuro talvez não nos peça para sermos mais rápidos que as máquinas, mas mais humanos do que nunca. Por Maria Cerchi